• Anna Morais

"Fotografia: quando a televisão para de mexer ... e a gente pode olhar as coisas devagar"

Atualizado: Jun 22

E se te perguntarem o que é fotografia? O que você responderá? Assim, começamos a descrever a fotografia, talvez conceituar um pouco daquilo que se pode desenhar com a luz. Dos inúmeros significados, guardo para mim a concepção de 'registrar o olhar', o que não é uma tarefa muito fácil. É preciso sentir e apreciar...




Como eu gosto do curta-metragem do diretor Leonardo Cata Preta! Na animação O céu no andar debaixo, Francisco faz fotografias de céu, desde os 12 anos de idade, um dia, viu algo diferente em uma de suas fotografias, despertando emoções, sentimentos ímpares... acredito que a fotografia seja assim mesmo: capaz de despertar sensações únicas.

Foto: Luz | Grafia: Escrita

O dicionário da língua portuguesa Michaelis, traz os seguintes significados:

Fotografia é a  “1 Arte ou processo de produzir, pela ação da luz, ou qualquer espécie de energia radiante, sobre uma superfície sensibilizada, imagens obtidas mediante uma câmara escura. 2 Reprodução dessas imagens. 3 Retrato” Retrato é a “1 Imagem de uma pessoa, reproduzida pela fotografia, pela pintura ou pelo desenho; fotografia. 2 Cópia exata das feições de alguém. 3 Pessoa muito parecida com outra, moral ou fisicamente. 4 Descrição, em prosa ou em verso, das feições ou do caráter de uma pessoa. 5 Caráter. 6 Descrição exata. 7 Cópia de alguma coisa. 8 Modelo”

“Uma foto registra um momento único, geralmente sem replay, você não terá outra chance de fotografar aquele momento. Esteja sempre esperando o inesperado. É melhor ter uma boa imagem deste instante que uma imagem medíocre. Fotografar melhor não vai custar mais do que fotografar com displicência”... (Amyr Klink)

Vivemos numa sociedade imagética e ficamos deslumbrados ao ver imagens reproduzidas a partir de outras reais, como no mito da caverna. Capturar e registrar tornou-se de tão grande relevância que leva, muitas vezes, ao desprezo de aproveitar o momento performático. Talvez pelo desenvolvimento tecnológico e globalização, que permitiram  acessibilidade aos equipamentos e consequentemente uma possível banalização do meio, registar tudo, sem pensar, sem escolher o que será fotografado, tornou-se comum à sociedade. Aprender a avaliar o que será fotografado é o grande diferencial para se obter uma boa fotografia.

“A humanidade permanece, de forma impenitente, na caverna de Platão, ainda se regozijando, segundo seu costume ancestral, com meras imagens da verdade. Mas ser educado por fotos não é o mesmo que ser educado por imagens mais antigas, mais artesanais. Em primeiro lugar, existem à nossa volta muito mais imagens que solicitam nossa atenção. O inventário teve início em 1839, e, desde então, praticamente tudo foi fotografado, ou pelo menos assim parece. Essa insaciabilidade do olho que fotografa altera as condições do confinamento na caverna: o nosso mundo. Ao nos ensinar um novo código visual, as fotos modificam e ampliam nossas idéias sobre o que vale a pena olhar e sobre o que temos o direito de observar. Constituem uma gramática e, mais importante ainda, uma ética do ver. Por fim, o resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça - como uma antologia de imagens. Colecionar fotos é colecionar o mundo” (SONTAG, 2004).

Quando o assunto é fotografia e globalização a arte vai de encontro a uma disseminação global (HAKING, 2012). Fotografias graciosas e de grande valor econômico se difundem diante das exposições competindo espaço equitativamente com obras relacionadas à questões sócio-econômicas e culturais. Por outro lado, com a facilidade de acesso, aos novos meios e canais de comunicação, principalmente a internet vem proporcionando novas possibilidades de disseminação da fotografia, bem como a troca e até a manipulação das imagens. Cabendo argumentar sobre o papel e a real funcionalidade da fotografia diante do mundo globalizado.


CAMPANY, David. HACKING, Juliet. Tudo sobre Fotografia. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

KLINK, Amyr. Cem dias entre o céu e mar. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

KUBRUSLY, Claudio Araujo. O que e fotografia. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. (disponível para dowload no em LEITURAS)


#dicasdefotografia #fotografia #conceitos

34 visualizações

© 2020AMO